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É importante analisarmos como a linguagem funciona para incluir ou excluir, assegurar ou silenciar as diferentes expressões da sexualidade humana, presentes em nossas empresas

Chegamos ao mês dedicado à causa LGBT, pauta que algumas organizações vêm inserindo em programas internos de diversidade há algum tempo, reflexo das próprias transformações que experimentamos, na legislação e na sociedade. E — claro — porque perceberam o impacto disso em seus negócios. Em algumas delas, há adaptações nas políticas de contratação e promoção, nos manuais de boas-vindas, o polêmico ‘terceiro banheiro’ e mudanças na abordagem publicitária das marcas. Aqui, porém, vamos refletir o discurso interno, a narrativa que construímos e divulgamos.

Para colocarmos a diversidade como um valor de marca, deveríamos tentar validar as diferentes expressões da sexualidade humana na redação dos nossos conteúdos. Nessa linha, ainda poucas empresas dão voz ao grupo formado por lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, reduzindo os juízos provisórios e educando, efetivamente, o seu coletivo para o respeito.

Embora tenham ocorrido avanços, não nos acomodemos em nossas comunicações excludentes. Há um percurso longo pela frente e a reconfiguração da linguagem passa por nossas mãos. Somos nós que pensamos, escrevemos, ajustamos, editamos. Incluímos ou excluímos significados.

Temos, sempre, duas vias: produzir comunicações com mais responsabilidade social, ligadas aos valores humanos, ou neutralizar o tema. A segunda hipótese, embora facultativa, cria um tipo de discriminação, ao anular as pessoas LGBT.

Lembremos que as organizações também são agentes modificadores da sociedade, não apenas engrenagens de fabricar coisas, serviços e lucro. E quando têm o cuidado de perceber o outro, abrem espaço para personagens — até então — invisíveis, e geram vínculos muito mais efetivos.

Seria bom falarmos mais do assunto, ouvir quem deve ser ouvido, construir textos reformadores. Universalizar a convivência respeitosa entre os nossos públicos. As palavras estão aí para isso.

Leonardo Pessoa é especialista em Jornalismo Institucional e editor de conteúdo da fmcom

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